quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

As palavras não são coisas

Sei que o que vou relatar agora pode ser algo tão naturalizado entre as pessoas que você, atento a essas palavras, nem vai perceber rapidamente que se trata da mentira.
O que você está lendo é verossímel. Eu não existo. Eu não sou ninguém. Sou ficção. Não se iluda, por favor.
Eu minto que sou uma obra de arte. Não sou. Não transcendo os tempos trazendo uma reflexão acerca das trivialidades ou elementos semióticos. Sou um texto produzido por um ser humano pensante. Mas o que está escrito aqui não é o que eu realmente quero dizer com palavras.
Mas tentarei ser breve. Eu gostaria de ser uma verdade. Mas é impossível não ser relativizado. A verdade está nas coisas. Mas as palavras não são coisas. Ou são? As palavras nomeiam os seres, os sentimentos. Portanto as palavras são boas e más. Depende de onde elas estão.
Elas estão comigo, contigo... Estão refletindo, criando e recriando consequências. Criam até mesmo soluções. A vida não é nada para quem desiste das palavras. A vida é uma palavra. E esta palavra pode ser uma verdade ou uma mentira. Logo, eu sou alguém ou ninguém nesse mundo. Nesse espaço-tempo a palavra pode ser eu. A palavra são todos. A palavra é o todo.

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